segunda-feira, 11 de maio de 2009

A Caçada

Você passa alheia ao perigo,
Cega para minha presença.
Caminha segura, sem nada a ser temido.
Mal sabe que decretei sua sentença.
Sigo você nos braços da eterna noite,
Oculto nas sombras dos becos,
Esperando pelo meu deleite,
Escondido nos mitos e ecos,
De um passado de danação.
Perdido nas lendas e afins.
Busco minha determinação,
Na sede que carrego em mim.
Na vontade de viver através de ti.
De atravessar a eternidade
Século após século sorvendo tua vitae.
Por isso mantenho a serenidade.
Chegando cada vez mais perto,
Vejo agora você sob luzes da cidade,
E te conduzo para o destino certo.
Com teus olhos fixos nos meus,
Faço teus pés seguirem meu traço.
Cambaleante e embevecida por densos véus.
Até encontrar meu frio e final abraço.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Devaneios de um Lençol

O calor de teu corpo febril...
A textura de tua pele de cetim...
A mão delicada que fugiu...
A cor de teus lábios carmim...
O fio de cabelo que caiu...

Só me resta perguntar
Quando vais voltar?

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Soneto ao Vinte de Setembro

Os ventos do sul sopram fortes,
Gélidos, austeros e constantes.
Nas terras do pampa, nas “cuchilias” distantes.
História de honra, sangue e galopes.

Ouço a voz de meus ancestrais
Sussurradas nesse minuano sereno.
Lembrando das tradições imortais,
Carregadas nesse vento eterno.

Levo no peito esse orgulho do passado,
Essa virtude conquistada no fio da espada
Pelo farrapo caudilho cansado.

E nessa justiça por eles firmada,
O pala da memória visto com alento
Para poder sossegar no pelego do tempo

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Sopro

Ser severo solitário,
Servindo sem sonho, sem sede,
Sereno sorri soturno,
Sabendo somente seu semblante,
Sai sozinho sofrendo,
Sua saúde sem sorte,
Seu soluço sobresaltado,
Sempre só, sempre sincero,
Sopro sem substância,
Saliva sem sal,
Só seu ser selvagem
Sua solidão senciente.

domingo, 29 de junho de 2008

Entrelinhas

Mil nuvens passam pelo céu.
Águas correm para o infinito.
Rápidas e leves no rio do tempo
Como folhas sopradas ao vento.
Indago-me se alguém lerá
A mensagem que está dentro.
Entre palavras que lhes confundirá,
Uma frase sem sentido após outra.
Tremendo me ponho a pensar
Em que momento ela saberá
A verdade do que sinto, amor não minto.
Muito e eterno, para sempre terno.
Olhando para sempre, sempre e sempre...

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Fazendo Tempo

Ter tempo por algum tempo,
Perder tempo o tempo todo.
Arranjar tempo quase nunca,
Reclamar do tempo quase sempre.
Porque tinha tempo.
Tempo perdido no espaço
Hoje sem tempo para cansaço.
Quero um pouco mais de tempo!
Tempo para mim agora.
Tempo para dentro...
Para outro tempo...
Tempo noutra hora...

domingo, 11 de maio de 2008

Adoro...

Perder meus dedos em teus cabelos
Afogar-me em tua pele perfumada
Enlouquecer com teus beijos
Te amar na madrugada
Viver os teus desejos
Confidenciar tua loucura
Elevar-me em delirantes ensejos
Tocando tua carne nua
Para num efêmero momento
De fugas satisfação
Perceber o amor contido
Nas batidas de teu coração